sábado, 5 de março de 2022

POEMA MALDITO III

 Poema maldito, tu que fostes tão bem escrito, tão bem aromatizado, me encantou desde a primeira letra até o ponto final da última estrofe, me obrigo a despedir de você mas sem promessas de esquecer te, depois que te li poema proibido acabei adquirindo essa tua maldição que confesso não conhecer ou se quer ter ouvido falado, e dela não saber como se livrar e nem sei se quero. Sou teu prisioneiro, acorrentado por essas suas correntes escura do passado mal passado mal curado, sou teu prisioneiro não o primeiro, mas sou mais um que por vez não se sabe até quando assim como tantos outros que se sujeitaram aos teus falsos encantos, desde a capa do teu livro até o abrir das páginas. Rogo teu nome, faço 5 pressas, ando por mil ou mais léguas, e nada dessa tua maldição me livrar. Acorrentado estou, rezando por livramento, vivo todos os dias o mesmo lento sofrimento ardido, tentando escapar, não sou mais correspondido, nem mais me faço em gritos, não sou mais ouvido, sinto me que fui esquecido deixado para morrer pras bandas de cá / além mar onde Judas perdeu suas botas, onde o vento faz a curva e depois volta, neste lugar onde nem sei se existe. Eu sentado de frente pro nada e o nada de frente comigo ainda sonho com minhas tardias glorias não mais tão juvenis, onde eu esbanjava com muito orgulho e imponência à alegria e encantadores sorrisos de verdade, sem preguiça ou timidez, risos esses que tinham vida própria e eram ricos de prosperidade, viviam sem nenhuma vaidade, se espalhavam por todo lugar que se possa imaginar, eu era um Deus terreno, um Deus que sangrava, chorava, que morria, um Deus que era temido por todos por saber respeitar cada um, um Deus 100% humano, em carne osso e emoção. E, hoje, graças a tu poema, eu me sinto o mais frágil fracos dos humanos,