E lá se vai José...
De cabeça fria nunca engrossa, vai devagar rumo a sua roça,
De onde tira seu sustento. Triste fica o coitado, só quando lembra que não é letrado.
E lá se vai José...
O caminho é longo, ardoso, nem quente nem frio,
É um caminho morno, sem muita definição, causa ou questão.
E lá se vai José...
Com cigarro de paia no bico, tragando o vicio pro tempo matar,
Levando sua cabaça dágua, junto a enchada, nunca deu no trabalho uma mancada.
E lá se vai José...
Com seu esforço garrido, José é home mais valente e valido,
por todo teritório que se procurar, baixinho e forte, ele mesmo diz que não deixa o Norte.
E lá se vai José...
Valido de suas proezas, não é dotado de muitas riquezas,
mas mesmo assim se diz rico, nas graças do bom Deus, que sem nos protejeu.
E lá se vai José...
Anda José, caminha por estes cantos que são teus, acorda que o dia já amanhaceu, e não se pode madrugar. Acorda pra acordar as crianças, e já pra ir trabalhar na bonaça.
E lá se vai José...
Por onde os caminhos não se define e o céu fica no chão, onde as balairinas são fulô encantando o ar, purificando os ouvidos cegos de tanta poeira, subindo e descendo ladeira nesse imenso mundo chamado sertão.
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